sexta-feira, 6 de junho de 2014

Baseado em reais decepções

Antigamente eu me desesperava. Queria dizer “Ei, pera aí, fica mais cinco minutinhos. Deixa eu mostrar o quanto sou engraçada. Porque eu sou, sabia? Sou muito divertida! Não tive tempo de mostrar tanta coisa, toma um café e espera?”. Ficava me culpando por meses por qualquer fim que não partisse de mim. Qualquer fim antes que eu pudesse fechar o ciclo de: me encantar-gostar-apaixonar-enjoar.
Que afronta sua pular fora antes do meu tempo! Ainda não pude nem ser carinhosa, não tive sequer a oportunidade de ser cara de pau e louca, como você gosta. Não deu pra socializar com seus amigos chatos, mas eu vou tentar, então senta aí um pouco. Por que está cruzando a porta agora? O que eu fiz de errado e o que eu fiz de certo? O que eu não precisava ter dito e tudo que eu não disse e precisava ser ouvido? Fui demais, de menos? Sufoquei, deixei muito solto? Fui muito mais ou menos?
Qual é, tem que ter um motivo e eu mereço saber qual é. É o mínimo. Mas quer saber? Hoje não. Que se dane. Se vai mesmo embora, saiba que já vai tarde. Chega de perder meu tempo e desperdiçar esforços pra fazer bem pra quem tá comigo olhando pro relógio. Se não estiver do meu lado de corpo, mente e coração, eu mesma te levo até a porta e te convido a sair. De coração, é um favor que me faz.

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