segunda-feira, 27 de abril de 2015

Dex

Deitamos na cama sem dizer nada. Estamos de frente um para o outro, mas meus olhos estão fechados. Sinto a mão dele sobre a minha, ele a aperta, me chamando pra perto. Sinto minhas bochechas pegarem fogo. Ele ri. Deve ter percebido. Mas não me censura, não se irrita, não força a barra. Inspiro e respiro. Quando finalmente controlo meus batimentos cardíacos, me aproximo dele. Repouso a cabeça na curvatura do seu pescoço, logo abaixo do queixo. Nick não usa perfume ou colônia, mas é como se ele tivesse seu aroma próprio. Um aroma afrodisíaco, perigoso. Sou obrigado a controlar os malditos batimentos de novo.

Nick

A verdade é que estou perdido. Já tínhamos esclarecido, não era a primeira vez de nenhum dos dois indo pra cama com outro cara. Mas seria a primeira vez que eu apenas iria pra cama, no sentido literal. E mesmo assim, é ele quem aparenta estar mais nervoso. Acho engraçado. Me permito rir. Ele não se importa. Sabe que não o estou julgando. Quando ele se aproxima, se aninhando em mim, sinto um certo volume encostando na minha coxa. Arqueio uma das sobrancelhas.
— Pensei que não faríamos nada. - implico o envolvendo em meus braços, é a vez dele de rir quando responde:
— Eu também.

— Dexter and Nicholas (Sleepover)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

"You think I’d let him destroy me and end up happier than ever? No fucking way."
  —Amy Elliott Dunne

"Nice is different than Good". Thanks Disney

Sonhar demais, não faz bem. Acho que era nisso que a Disney estava pensando ao adicionar a sua franquia um filme onde os príncipes são perfeitos esteriótipos de canalhas do século vinte e um.
Ser terrivelmente encantador e ainda por cima herdeiro do trono real nunca fez de príncipe nenhum flor que se cheire. E foi esse o brilhante exemplo dado pelo Prince Charming em "Into The Woods". Porque enquanto Cinderella bancava a difícil, dançando com ele a noite toda e depois metendo o pé a meia noite sem nem trocar o whatsapp antes, ele demonstrava todo o interesse do mundo, afinal, que príncipe encantado está habituado a rejeição? Mas foi só a guria do sapatinho de cristal (no caso desse filme: sapatinho de ouro) dar o braço a torcer pra que todo o interesse sumisse com a mesma rapidez com que chegou. Resumindo: enquanto era novidade, algo para se conquistar, tava ótimo. A partir do momento em que se tornou algo fácil, perdeu a graça...

Simplesmente genial essa ideia de juntar dois esteriótipos (Príncipe do século 14 e Canalha do século 21) em um personagem só! Sério Disney, ganharam meu respeito depois dessa.